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Jobs to be done: o que é e como descobrir o trabalho que o cliente contrata

Guia prático de jobs to be done: o que é, a história do milkshake, como entrevistar clientes sobre a troca e como usar o método em produto e marketing.

Equipe SymDot5 min de leitura

Por que alguém compra uma furadeira? A resposta clássica, atribuída ao professor de marketing Theodore Levitt, é que a pessoa não quer uma furadeira; quer um furo na parede. E, indo além, talvez queira pendurar um quadro, e por trás disso, sentir que a casa nova finalmente tem a cara dela.

Essa é a lógica do jobs to be done: entender o progresso que o cliente quer fazer, e não só o produto que ele compra.

O que é jobs to be done

A teoria foi popularizada por Clayton Christensen, professor de Harvard, especialmente no livro Muito além da sorte (Competing Against Luck), de 2016. Antes dele, o consultor Tony Ulwick desenvolveu uma abordagem relacionada, chamada Outcome-Driven Innovation. E Bob Moesta, colaborador de Christensen, desenvolveu a técnica de entrevistas focada na troca de solução.

A história do milkshake

O exemplo mais famoso, contado por Christensen: uma rede de lanchonetes queria vender mais milkshakes. Pesquisas sobre sabor, espessura e preço não davam resultado. Observando quem comprava, a equipe percebeu que boa parte das vendas acontecia de manhã cedo, para pessoas sozinhas, que levavam o milkshake para o carro.

O trabalho contratado era: "tornar o trajeto longo e chato até o trabalho mais interessante, e me manter saciado até o almoço, com uma mão livre para dirigir". Os concorrentes do milkshake não eram outros milkshakes, e sim bananas, rosquinhas, barras de cereal e o tédio.

Entender o trabalho mudou as perguntas: um milkshake mais espesso, que durasse o trajeto inteiro, com compra mais rápida pela manhã.

As dimensões do trabalho

Dimensão Pergunta Exemplo (contratar um contador)
Funcional O que precisa ser feito? Pagar os impostos certos, no prazo
Emocional Como a pessoa quer se sentir? Tranquila, sem medo da Receita
Social Como quer ser vista? Como uma empresária organizada perante sócios e bancos

Muitas empresas competem só na dimensão funcional, enquanto o cliente decide pela emocional.

As forças do progresso

Bob Moesta e colegas descrevem quatro forças que atuam na decisão de trocar de solução:

Força Direção Exemplo (trocar de sistema de gestão)
Empurrão da situação atual A favor da troca "Fechar o mês leva três dias de planilha"
Atração da nova solução A favor da troca "Vi um colega fechar em uma tarde"
Ansiedade com o novo Contra a troca "E se eu perder os dados na migração?"
Hábito do atual Contra a troca "Todo mundo já sabe usar a planilha"

A troca só acontece quando empurrão e atração superam ansiedade e hábito. Muitas empresas só trabalham a atração (mais funcionalidades) e ignoram a ansiedade, que é o que segura o cliente.

Como descobrir o trabalho: a entrevista da troca

  1. Entreviste quem trocou recentemente: quem comprou de você nos últimos meses, ou quem trocou você por outro.
  2. Reconstrua a linha do tempo: quando começou a pensar nisso? O que aconteceu naquele dia?
  3. Busque o primeiro pensamento: o que fez a pessoa perceber que precisava mudar?
  4. Explore as alternativas consideradas, inclusive "não fazer nada".
  5. Pergunte sobre a ansiedade: o que quase fez desistir?
  6. Identifique o momento da decisão e o que foi decisivo.

Como usar o JTBD

  • Produto: priorizar o que ajuda o cliente a fazer o trabalho melhor, e reduzir a ansiedade de troca.
  • Marketing: falar da situação e do progresso, e não das características. Veja proposta de valor.
  • Concorrência: enxergar os concorrentes reais, que muitas vezes são de outras categorias.
  • Inovação: encontrar trabalhos mal atendidos.

Do trabalho à mensagem testada

Depois de identificar o trabalho, surgem hipóteses: a mensagem centrada na tranquilidade converte mais do que a centrada na economia de tempo? Reduzir a ansiedade com uma migração assistida faz mais gente trocar?

O que é jobs to be done?

É uma teoria que explica as decisões de compra a partir do "trabalho" que o cliente quer fazer em uma situação específica. O cliente "contrata" um produto para fazer esse trabalho e o "demite" quando encontra algo melhor.

Quem criou o jobs to be done?

A teoria foi popularizada por Clayton Christensen, de Harvard. Tony Ulwick e Bob Moesta desenvolveram abordagens e técnicas importantes relacionadas ao método.

Qual a diferença entre JTBD e persona?

A persona descreve quem é o cliente. O JTBD descreve o que ele está tentando fazer e em que situação. Pessoas muito diferentes podem contratar o mesmo produto para o mesmo trabalho.

Como aplicar jobs to be done numa pequena empresa?

Converse com cinco a dez clientes recentes, reconstrua como foi a decisão de compra e procure padrões nas situações, nos empurrões e nas ansiedades. Use isso para ajustar a mensagem e a oferta.

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